Empatia e o lado humano da tecnologia

Ontem foi dia de Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano da famosa liga da NFL. Nos Estados Unidos, o futebol americano é um dos esportes mais populares e a transmissão desse jogo costuma ter as maiores audiência da televisão americana. Senão, a maior.

E, por causa disso, os comerciais durante a transmissão do evento também ganham grande repercussão. E o que mais me chamou a atenção ontem foi o comercial da Microsoft. Confesso que me emocionei e pensei muito sobre a inclusão e como a tecnologia pode e deve ter seu lado humano.

O comercial era do Xbox Adaptive Controller da Microsoft, e, essencialmente, conta a história de crianças com mobilidade limitada e seu amor por videogames. Muitas crianças amam videogames (aliás, é um a indústria que cresce muito recentemente. Já viu seu filho assistindo no Youtube ou na internet outra pessoa jogando? Seja ao vivo ou vídeo gravado?). Mas, se você é uma criança com mobilidade limitada, nem todos os consoles de videogames estão prontos para ser acessível para que você jogue. E com esse argumento que o comercial conquistou muitos corações.

A empatia é competência base nas relações com o outro.

Quanto mais a tecnologia se desenvolve, mais humanos precisamos ser.

A tecnologia pode ser fria e afastar as pessoas. Mas ela tem o incrível poder de permitir experiências incríveis, como é para essas crianças jogar os jogos no videogame. O lado humano dos designer por trás desse controle me mostra cada vez mais o tamanho da responsabilidade de cada um que se envolve em um projeto tecnológico. Costumo dizer que quanto mais a tecnologia se desenvolve, mais humanos precisamos ser. Falei um pouco disso na minha palestra no Singularity Summit Brazil em 2018 e isso se corrobora cada vez mais. Seja nos livros que leio, como o “21 Lições Para O Século 21”, seja nas discussões e no movimento da educação em que o desenvolvimento do ser humano passa a ser prioridade e central nas nações. E a empatia é competência base nas relações com o outro.

“If we are not careful, we will end up with downgraded humans misusing upgraded computers” – Yuval Noah Harari from 21 lessons for the 21st Century

A empatia se caracteriza pela capacidade de se colocar no lugar dos outros, ver o mundo com as lentes do outro. E aprender a abrir mão um pouco da sua forma de enxergar o mundo. E, por que não, desenvolver produtos que permitam a inclusão e o acesso, unindo a tecnologia e a empatia?

A empatia vem sendo incorporada de forma consistente no mundo dos negócios. Se você já ouviu falar de Design Thinking, saiba que a empatia é o primeiro de cinco blocos no framework dessa metodologia de design, que fornece uma abordagem baseada em solução para resolver problemas.

A capacidade de perceber o outro, seus pensamentos e sentimentos, colaborar e construir relacionamentos produtivos e positivos sempre será fundamental.

Criada na D. School da Universidade de Stanford, na California, tem sido usada para achar soluções de problemas para seus clientes, com foco no usuário. E, portanto, se o foco é o usuário, o outro, a empatia é fundamental nesse processo. Como o usuário pensa? O que ele pensa? Como se comporta? Como entende esse produto ou serviço?

A empatia é irreplicável nas máquinas (Alguns defendem que ela ainda não é replicável…). Mas ela é essencial em um mundo onde a tecnologia irá influenciar praticamente todos aspectos da nossa vida. E, muitos deles, já influencia. A capacidade de perceber o outro, seus pensamentos e sentimentos, colaborar e construir relacionamentos produtivos e positivos sempre será fundamental. Se desejamos aproveitar todo o potencial da tecnologia para atender às necessidades humanas, nós precisamos desenvolver uma compreensão mais profunda, respeitando os valores, culturas, emoções e impulsos uns dos outros. E é aí que a tecnologia humana entra em cena. Fazendo um touchdown e mostrando que a empatia pode mudar vidas e nos emocionar ao ver esses sorrisos nas crianças.

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