Uma amiga querida perguntou em uma rede social qual era o livro favorito da infância dos seus amigos. Várias pessoas responderam. Na verdade, muito espertamente, ela queria ter indicações de livros infantis para o filho dela. Juro que não respondi “Tenho Monstros na Barriga”! Até, porque, quando eu era criança, o livro ainda não existia. Somente os monstros e a minha barriga! Mas lembrei na hora de um livro que eu amava quando era criança. O título era “A Curiosidade Premiada”. E escrevi no post dela. No ano seguinte, ela faz a mesma pergunta e eu escrevi a mesma indicação do livro! Eu gostava mesmo dele.

O livro conta a história de Glorinha, uma menina que fazia muitas perguntas. Lembro que uma parte que me chamou a atenção no livro foi quando a mãe da Glorinha descobriu que a criança poderia explodir de tantas perguntas se elas não fossem respondidas. A Glorinha quer saber de tudo. Por que o vento venta? Por que a gente chora quando corta cebola? O que é o arco-íris? Por que a verruga tem cabelinho? Os pais da menina já não aguentam mais tantas perguntas, até que eles acabam descobrindo que a curiosidade pode ser bem importante.

E o mundo corporativo também descobriu isso. A última revista da Harvard Business Review de Outubro de 2018 tem a curiosidade como capa. A temática ganhou maior importância depois dos estudos da professora de Harvard Francesca Gino. Sua pesquisa mostrou que a curiosidade pode aumentar a performance e a adaptabilidade das empresas. E qual organização não quer melhorar seu desempenho e ser capaz de se adaptar mais rapidamente nesse mundo com características VUCA (Volatility , Uncertainty, Complexity and Ambiguity / Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade)?

Mas, afinal, o que é curiosidade? A curiosidade é uma característica inata do ser humano. Dizem que as crianças já nascem curiosas, como a Glorinha, e vão desaprendendo ao longo dos anos. Alguns colocam a culpa da falta da curiosidade nas escolas. As crianças, de fato, são verdadeiros exploradores desde pequenos. Possuem um forte desejo de saber, aprender e entender alguma coisa, que é a essência dessa característica. A curiosidade possui, em sua natureza, a geração de experiências positivas.

Para adaptar-se às incertezas do mercado e às fortes pressões das inovações, as empresas precisam engajar os times para pensar mais profundamente sobre o negócio, para fazer conexões com modelos em outros segmentos. Isso busca obriga as pessoas a buscar soluções mais criativas. Portanto, ativar a curiosidade, em busca de informações é fundamental para empresas. Pesquisas também apontam que a curiosidade aumenta a persistência e o nível de engajamento dos indivíduos e dos times.

Mesmo que muitos líderes digam que incentivam a curiosidade, a pesquisa mostra que eles temem a ineficiência e os riscos. Na pesquisa da professora Francesca Gino, só 24% dos funcionários reportam curiosidade no trabalho e 70% dizem que enfrentam barreiras para questionar e fazer mais perguntas. Momento reflexão: Que ambiente você cria no seu trabalho? Um espaço para questionamentos e perguntas, ou um espaço cheio de verdades e convicções?

De forma geral, as organizações desencorajam a curiosidade. Primeiro porque os líderes possuem um mindset torto em relação ao processo de explorar, inerente à curiosidade. Existe um receio de que a equipe ficaria mais difícil de gerir caso cada membro do time explorasse seus interesses. Mas as pesquisas já mostram que líderes apontem criatividade como um objetivo em suas equipes, eles geralmente rejeitam ideias quando elas são apresentadas. Contraditório, né? No fundo, a curiosidade questiona o status quo e isso muitas vezes amedronta alguns líderes. Além disso, nem sempre explorações e questionamentos levam a uma decisão relevante, o que pode parecer perda de tempo. Outro ponto relevante é que as empresas estão mais preocupadas com a eficiência. E, portanto, abrem mão da curiosidade.

Se você está interessado e vê a importância da curiosidade na empresa, pensar em fazer um processo de coaching focado para desenvolver sua curiosidade pode ajudar. Pensar em ter determinados projetos em que o foco são as perguntas e organizar os times de forma que eles possam explorar e e fazer job rotations também são sugestões de estudiosos do tema.

Apesar de termos indicativos de pesquisa que a curiosidade é necessária para o sucesso de líderes, ela sozinha não é suficiente. E aí, qual sua pergunta? 😉