Imagine um mundo em que todos tivessem a habilidade de se colocar no lugar do outro. Em que as pessoas pudessem lidar com as situações que provocam as emoções mais extremas. Um lugar onde todos conheçam a si mesmos, suas limitações e seus pontos fortes, que saibam lidar com as diferenças e que entendam e saibam se adaptar ao contexto onde estão inseridos. Um mundo no qual as pessoas tenham iniciativa, confiem umas nas outras e que queiram ter sucesso. Provavelmente, todos gostariam de viver em um lugar assim, apesar de muitas vezes essa realidade parecer tão distante.

Diante de um mundo VUCA – do inglês, volátil, incerto, complexo e ambíguo -, precisamos ter um mindset de aprender a aprender. Sempre e pra sempre. Todas as aptidões descritas acima, que tornam o mundo tão especial, fazem parte de uma cesta de habilidades conhecidas como competências socioemocionais, habilidades do século XXI, ou ainda inteligência emocional.

Mas, o que, afinal, seria isso?

Essas competências incluem a capacidade de cada um lidar com suas próprias emoções, desenvolver autoconhecimento, se relacionar com o outro, de ser capaz de colaborar, mediar conflitos e solucionar problemas. Elas são utilizadas no nosso dia-a-dia de forma sistemática e integram todo o processo de formação de uma pessoa como um ser integral: como indivíduo, como profissional e como cidadão. O desenvolvimento dessas habilidades é o caminho para estar preparado para um futuro que não sabemos como será. Essas habilidades darão suporte para nos adaptarmos e tomarmos decisões melhores para nós mesmos, para o outro e para o mundo, como você pode ver no esquema abaixo:

Esse círculos são conectados entre espaços e os três círculos – Eu, Outro e Mundo – interagem em uma imensa, eterna e frequente relação. Nós aprendemos e desenvolvemos competências relacionadas ao “eu”, como o autoconhecimento. Saber seus valores, suas prioridades e seu propósito são partes do ciclo “eu”. Porém, também aprendemos mais sobre quem somos por meio das relações que estabelecemos com o outro, seja ele membro da minha família ou um colega de trabalho. Esse ciclo de ida e volta frequente das relações nos ajudam a entender nossas características, nossas habilidades e nossos comportamentos.

E, claro, somos seres sociais e, por isso, a relação com o outro torna-se tão relevante. Como construir relacionamentos produtivos e positivos a longo prazo é fundamental para nosso bem-estar e felicidade. No ambiente de trabalho, a colaboração e o trabalho em equipe são fundamentais para atingirmos melhores resultados. Costumo ouvir que, se quiser ir rápido, vá sozinho. Se quiser ir longe, vá com os outros. Além disso, habilidades como empatia, saber ouvir o outro e aceitar opiniões, ideias e perspectivas diferentes das suas são habilidades fundamentais para sobreviver no futuro e ter sucesso.

O mundo é o contexto que vivemos e, por isso, precisamos entender o que está acontecendo nesse lugar. O contexto impacta nossa forma de reagir, de nos preparar. Entender as tecnologias, mudanças e tendências do mundo de hoje são fundamentais para nos prepararmos e nos desenvolvermos sempre.

Esses três ciclos impactam as decisões que tomamos diariamente. Por exemplo, se eu sei o que é mais importante para mim, meus valores e prioridades, fica mais fácil tomar uma decisão em relação a atividade que vou fazer. Se fazer exercício físico é importante para mim, vou priorizar e separar um tempo na agenda para fazer isso. O que acontece com muita frequência é que não sabemos o que é importante para a gente, um sintoma de falta de autoconhecimento. Assim como em relação ao outro, entender quais relações serão produtivas, positivas e quais conexões serão importantes fazer é relevante para entender como eu vou nutrir essas relações. Em relação ao mundo, que decisões eu vou tomar? Que tipos de hábitos terei no contexto atual do mundo? Que legado e impacto quero deixar para o mundo?

No século 21, a interconectividade, a crescente complexidade das transformações sociais e tecnológicas, e a interação entre raças, gênero e religião, por exemplo, têm ampliado a relevância dessas competências para a realização no âmbito pessoal, de trabalho e social.

Em 2015, a Harvard Business Review publicou um artigo com uma premissa que parece contraditória. No mundo cada vez mais tecnológico, as habilidades sociais e emocionais tornam-se mais importantes e fundamentais para as pessoas. Mais do que a capacidade de fazer cálculos de cabeça, saber se relacionar, comunicar, trabalhar em conjunto e se adaptar a circunstâncias diversas podem ser o diferencial para um candidato a uma vaga de trabalho. O artigo aponta que bons robôs são excelentes em tarefas específicas, as quais foram programados para fazer. No entanto, por esse mesmo motivo, não são flexíveis, e essa é a vantagem dos seres humanos no mercado de trabalho.

Independentemente de variações e dos conceitos que essas competências envolvem, elas foram estudadas com base em pesquisas nas áreas de Educação, Psicologia, Pedagogia e Andragogia, Neurociência, Economia e outras ciências. O interesse maior desse conjunto de conhecimento é a busca de soluções para preparar crianças, jovens e adultos para a vida e para o futuro.

E essa é a minha missão: desenvolver essas competências em crianças, adolescentes, jovens e adultos. Seja por meio de desenho de currículos para escolas, formação de professores, programas de desenvolvimento ou coaching executivo. Portanto, investir em si mesmo e buscar como desenvolver suas habilidades sociais e emocionais é fundamental para se tornar um melhor indivíduo, um melhor profissional e um melhor cidadão, para que possamos ter uma melhor sociedade.